Por Sucena Shkrada Resk, para o CECSA-SP

O recém-criado Centro de Educação Ambiental de São Paulo (CECSA-SP) foi lançado
publicamente, durante o evento “Protocolos e Práticas para a Educação Socioambiental em
Cenários de Eventos Extremos”, em São Paulo, em uma data significativa: 3 de junho – Dia
Nacional da Educação Ambiental. Esta foi a primeira ação de cooperação realizada pelo Centro com
inúmeros parceiros, das esferas municipal à federal. Saiba mais em:

Em sua reconstituição na linha do tempo, as primeiras incursões de propostas para a concepção do
centro ocorreram no ano de 2024, quando foram realizadas quatro reuniões (duas presenciais; duas
virtuais) de sensibilização, com a participação de um grupo heterogêneo formado por representantes
da sociedade civil, da Academia, do terceiro setor socioambiental ao poder público, sob facilitação
do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança
do Clima (DEA/MMA). “Em 2025, houve a formação de grupos de trabalho voluntários, com
objetivo de estabelecer eixos de ações de um espaço de educação ambiental que tivesse impacto real
na vida dos cidadãos em seus territórios e pudesse se expandir em cobertura ao estado de São
Paulo”, explica Giovana Barbosa de Souza, coordenadora do CECSA-SP.

Contexto nacional

Nacionalmente, o DEA/MMA iniciou um trabalho para a construção de uma Política Nacional de
Centros, em 2023, quando foi lançado um edital que deu início ao apoio à criação de CECSAs.
Neste período, foram selecionadas 6 propostas nos seguintes Estados: Pará, Espírito Santo, Minas
Gerais, Ceará, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Já o Programa Nacional de Centros de Educação Ambiental (CECSAS) foi, então, criado
institucionalmente pela portaria GM/MMA nº 1.506/2025, no período da Conferência das Partes da
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que ocorreu em
Belém, no Brasil, em novembro do ano passado. O objetivo é centrado em três pilares – articulação,
educação e cooperação – que visam conectar iniciativas de públicas, privadas e da sociedade civil
em um sistema único, com foco na mudança de comportamento e formação cidadã e em estratégias
de impacto coletivo nos territórios.

Implementação do CECSA-SP

No final do ano de 2025, foi definida a parceria entre o DEA/MMA e a Universidade Federal do
ABC (UFABC), por meio de uma cooperação técnica, para um período inicial de gestão
administrativa do CECSA-SP. Neste ano, houve a contratação de equipe administrativa e plano de
trabalho com parceria do Sistema Brasileiro de Monitoramento e Avaliação de Educação Ambiental
(Monitora-EA) e o início de estruturação da governança. A sede física provisória fica em uma sala
do IBAMA, em São Paulo, que cedeu o espaço de forma colaborativa. O centro também lançou sua
referência virtual, com o site oficial: https://cecsasp.com.br/.

No dia 27 de abril, o CECSA-SP realizou uma nova oficina com o seu grupo-base embrião para
traçar os próximos passos e uma campanha em parceria com o IBAMA de prevenção ao fogo. Na
segunda fase de implementação, está programada a formalização de conselhos, como também o
avanço de mapeamento de iniciativas de educação socioambiental e de busca de apoio de recursos
para o ano de 2027.

Segundo Marcos Sorrentino, diretor do Departamento de Educação Ambiental e Cidadaniado

MMA, a importância do CECSA-SP está no fato de ser um braço operacional da Comissão
Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado de São Paulo (CIEA-SP), no sentido de fazer a
articulação e cooperação com os diversos entes pela melhoria das condições existenciais no estado
de São Paulo.

“O CECSA-SP tem a proposta de fazer um processo que busca chegar aos 645 municípios do
estado, atuando sem competir com as diversas agendas do campo ambiental, mas promovendo
sinergia entre elas. Eu acredito que o CECSA-SP se for compreendido por todas as instituições que
dele se aproximam, pode ser uma grande oportunidade para evitar a descontinuidade de políticas
públicas. O seu papel é de provocar municípios até o Estado para que ofereçam o que têm de
melhor para promover mudanças culturais na base da sociedade brasileira, a fim de que tenhamos
condições de resistir às mudanças do clima e construir uma sociedade mais inclusiva, mais
fraterna”, afirma Sorrentino.

De acordo com Isis Morimoto, coordenadora-geral de Cidadania do MMA, o programa do CECSA
propicia o impacto coletivo por meio de um ecossistema em movimento.

Maria Paula Pires de Oliveira, coordenadora da Comisssão Interinstitucional de Educação
Ambiental do Estado de São Paulo (CIEA-SP), reforça que o CECSA-SP foi instituído como
referência em educação e cooperação socioambiental no estado, atuando na articulação e formação
de atores e organizações, na produção de conteúdos e estratégias de comunicação e no apoio à
elaboração de processos, atividades e eventos de EA, entre outras atribuições, fortalecendo, assim a
incidência em políticas públicas no território.

“Suas atividades convergem com a CIEA-SP, colegiado que atua com a elaboração, implementação,
acompanhamento e avaliação de políticas de educação ambiental. Um exemplo dessa interlocução é
o Programa Estadual de Educação Ambiental (ProEEA-SP), instituído pelo Decreto nº 69.581/2025.
Atualmente a CIEA está trabalhando no planejamento de sua implementação, que prevê a realização
de um diagnóstico da educação ambiental no estado para detalhar seus eixos. Nesse processo, a
atuação conjunta entre CIEA e CECSA é fundamental para potencializar o diagnóstico e a
capilarização nos territórios”, considera Maria Paula.

“O CECSA-SP já é um parceiro do CEMADEN-Educação por ter ‘nascido’ com os conhecimentos
da educação ambiental e ter também uma relação interministerial (pastas de Ciência, Tecnologia e
Inovações (MCTI) e de Meio Ambiente e Mudança do Clima- MMA); e por estarmos no estado de
São Paulo, podendo colaborar, socializar e construir juntos conhecimentos”, afirma Rachel Trajber,
coordenadora do CEMADEN-Educação.

Segundo o cientista Carlos Nobre, a criação do centro é essencial. “Temos de capacitar
principalmente os jovens e as jovens para combater a emergência climática que estamos vivendo.
Agora também estamos com parcerias com a Universidade de São Paulo (USP), o CEMADEN –
Educação e os Ministérios de Ciência , Tecnologia; Educação; Meio Ambiente, para criar um curso
para o ensino fundamental 2 que consiga atingir futuramente todo o território nacional”.

Para o professor Mauro Viana, coordenador do Núcleo Segurança do Futuro, da Universidade
Zumbi dos Palmares, o CECSA-SP representa um ponto de convergência fundamental para as
pesquisas e ações voltadas à segurança climática no estado de São Paulo. “Sua interlocução com a
Universidade Zumbi dos Palmares potencializa nossa capacidade de produzir conhecimento com
recorte de equidade, colocando populações mais vulnerabilizadas no centro das discussões sobre
mudanças climáticas, o que é absolutamente essencial para uma abordagem justa e eficaz”. Segundo
ele, essa parceria fortalece diretamente o trabalho desenvolvido na Plataforma Climáticos
(https://climaticos.org), um ambiente digital voltado à prevenção e educação climática. “Dará robustez científica e institucional para aprimorarmos continuamente as pesquisas integradas à
plataforma. É, portanto, uma articulação estratégica entre ciência, tecnologia, educação e justiça
social”.

Alessandro Bender, coordenador da Secretaria-executiva de Mudanças Climáticas do município de
São Paulo, reforça o papel prioritário do CECSA-SP. “Ao participar dos encontros de entidades
subnacionais, a gente percebe um grande alinhamento entre as posturas, as expectativas e a
observação sobre o cenário de sustentabilidade, e de mudanças climáticas. Há o mesmo
comprometimento da percepção dos desafios que enfrentamos. Por isso, as entidades que possam
fazer o papel de articulação, com a gente, como o CECSA-SP, será muito positivo”.

Estruturação dos CECSAS

Os eixos temáticos de impacto do programa dos CECSAS são concentrados na sustentabilidade dos
territórios, por meio da própria característica da sustentabilidade, do engajamento, da efetividade,
do impacto coletivo e do controle social.

A portaria prevê a estrutura governamental possa auxiliar na constituição de uma rede nacional,
com a articulação humana para a conexão oficial entre os centros, núcleos e equipamentos,
promovendo intercâmbio de saberes e apoio mútuo. Ao mesmo tempo, estabelece um hub
tecnológico disponibilizado pelo MMA para divulgação, monitoramento de dados e avaliação do
impacto da rede; e editais de financiamento, com injeção de recursos públicos inicialmente focados
nos centros de referência.

A estratégia dos centros está calcada territorialmente em unidades federativas, bacias hidrográficas
ou “vasta” região com incidência em macro políticas, intercâmbios científicos e apoio do MMA.
Como papel, têm o propósito de promover conteúdos de educomunicação e formação de
gestores/CIEAS.

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